Miguel Freitas: Idanha-a-Nova é uma referência nacional naquilo que é o seu trabalho de desenvolvimento dos territórios
Idanha-a-Nova
2017-10-30 10:22:37
Patrícia Calado

O Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Miguel Freitas, esteve em Idanha-a-Nova, na sexta-feira no debate “Nova Ruralidade – reviver o Interior de forma biológica”.

Tendo por base a agricultura biológica como pilar da economia local, participaram conferencistas vindos de todo o mundo e reconhecidos pelo seu trabalho na área do desenvolvimento rural e construção sustentável. Foram ainda apresentados casos de sucesso e projetos que podem ser adaptados a diferentes regiões.

Armindo Jacinto, presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, fez um balanço positivo desta iniciativa.

“Este é um evento que trazemos especialistas a nível internacional, especialistas sediados em Idanha-a-Nova. Nova ruralidade que em Idanha trabalhamos, temos cidadãos que já viveram até aos 114 anos e essa é a nossa expetativa, de viver até essa idade em Idanha-a-Nova. Portanto, estão todos convidados para virem para cá viver. A nossa satisfação vai no sentido que se olhe para Idanha-a-Nova como um território inovador. Num território de baixa densidade, envelhecido, que tem menos densidade populacional”, disse o autarca, salientando ainda a importância deste evento que trouxe ideias que podem ser replicadas noutros territórios.

Já para o Comendador Joaquim Morão, que marcou igualmente presença nesta iniciativa, acredita que Idanha-a-Nova tem condições “excecionais para a nova ruralidade”.

“Temos terra e temos que conseguir aproveitá-la e fazer disto um agente de desenvolvimento económico, temos terra e água. Queremos revitalizar o interior e temos condições para isso, a Câmara Municipal tem feito um enorme esforço, é facilitador na intervenção no terreno. Todos nós damos as mãos para uma nova economia”, discursou.

Miguel Freitas aplaudiu a ideia desta iniciativa, elogiando o trabalho do município de Idanha-a-Nova, que considera ser uma “referência naquilo que é o seu trabalho de desenvolvimento dos territórios”.

“Há municípios que são referência naquilo que é preciso fazer e Idanha-a-Nova é uma referência nacional naquilo que é o seu trabalho de desenvolvimento dos territórios, muito mais do que a ideia do desenvolvimento rural, o que importa é a ideia do desenvolvimento global, desta relação entre o rural e o urbano. Esta ideia de construirmos comunidades colaborativas, que são capazes de perceber e partilhar uma visão e que é a partir dessa visão que se fazem coisas novas. Este caso que viemos aqui discutir de como reviver o interior de modo biológico partiu de uma visão”, expôs o governante.

O Secretário de Estado, que mostrou-se satisfeito por em três meses de mandato ter ido a um evento abordar o Desenvolvimento Rural e não as Florestas e este flagelo que tem afetado o país, os incêndios. Miguel Freitas afirmou que foi confrontado com a realidade dos territórios do Interior, tendo a sensação de estar “num espaço cheio de diferenças”.

“Mas que constitui um enorme desafio e estou determinado para o fazer o que é preciso. O choque que me fez perceber a profundidade da realidade, muito pior do que aquilo que imaginamos, permite pensar a cada momento que sou confrontado com a realidade e o que é possível fazer. A porta de entrada é o ordenamento do território. A ideia de litoral-interior, a ideia de fronteira, tem de ser construída uma nova relação entre o rural e o urbano. Há espaços vazios que têm de ser preenchidos, têm de ter pessoas para haver desenvolvimento”, esclareceu, frisando que é crucial “construir algo novo a longo prazo”.

De acordo com o governante, a reconstrução destes territórios passa por aumentar o capital social e humano. Porém, neste caminho de reconstrução dos territórios do Interior, há um aspeto fundamental: a população tem de perceber “o que se está a passar” e que realidade é esta dos territórios de baixa densidade, até porque “todos fazem parte” deste projeto. Como foi o caso deste seminário, que decorreu no Centro Cultural Raiano, salientando o projeto Sementes Vivas, em que a inovação é primordial.

“A população tem de perceber o que se está a passar, todos fazem parte do projeto, ter visão partilhada, como neste seminário, há aqui uma visão partilhada. Agricultura intensiva não é a solução ideal para maior parte dos territórios. Encontramos em Idanha-a-Nova, um projeto com visão partilhada, temos de alargar aos territórios pertinentes. A ideia de rede é essencial e pode ser construída a ideia de uma nova ruralidade, sem políticas que a compreenda dificilmente seremos capazes de avançar. O Projeto Sementes Vivas é um projeto capaz de mostrar como a inovação é o elemento fundador da realidade. Trabalhar o material genético que dispomos, que é o que nos diferencia. A economia faz-se da diferença”, salientando o trabalho em rede feito pela Sementes Vivas.

Para Miguel Freitas, “há aqui um movimento essencial”, um projeto inovador podendo assim criar “uma nova economia” e, para isso, garantiu que o Governo será um parceiro.

“Como podemos fazer a partir de uma economia circular, da economia de carbono, como podemos fazer aqui uma nova economia? É disso que se trata. Nesse sentido que encontramos aqui uma boa parceria, uma plataforma onde o Governo terá um papel importante no sentido de apoiar, no sentido de sempre que for necessário, está próximo”, acrescentou.



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