Homenagens ao Padre Manuel Antunes chegam a Lisboa
Sertã
2018-04-18 12:38:47
Povo da Beira

As comemorações do Primeiro Centenário do Nascimento do Padre Manuel Antunes foram oficialmente apresentadas no dia 10 de abril, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Este momento solene foi igualmente aproveitado para a inauguração da exposição itinerante «Padre Manuel Antunes – Um Pedagogo da Democracia e da Liberdade», que depois de ter estado patente ao público na Sertã ruma agora à capital portuguesa, onde permanecerá até ao próximo dia 12 de maio.

Perante uma plateia recheada de antigos alunos do Padre Manuel Antunes e de representantes de algumas das principais instituições culturais portuguesas, como a Fundação Calouste Gulbenkian ou o Instituto Camões, o coordenador das Comemorações Antunesianas, José Eduardo Franco, deu as boas-vindas aos presentes e divulgou sumariamente o programa de atividades previsto para este ano.

Além da exposição itinerante, que percorrerá o país, destacou a realização do congresso internacional «Padre Manuel Antunes: Liberdade do Saber e o Saber como Liberdade» (a decorrer na Sertã e Lisboa entre os dias 3 de 6 de novembro), a produção de um filme documental, para posterior exibição num canal televisivo português, a Maratona de Leitura, dedicada este ano ao Padre Manuel Antunes (7de julho), a edição da sua obra seleta, entre outros.

O Superior Provincial da Companhia de Jesus em Portugal, Pe. José Frazão Correia, marcou também presença nesta cerimónia e lembrou “o exemplo” do Padre Manuel Antunes, “um homem que marcou o seu tempo” e que “pensava pela sua própria cabeça”. Sem esquecer a sua importância no seio da Companhia de Jesus, destacou as “suas enormes capacidades intelectuais” e o respeito pela liberdade.

O presidente da Câmara Municipal da Sertã, José Farinha Nunes, centrou a sua alocução numa clara síntese entre as várias dimensões (política, humanista, cultural, social e religiosa), que caracterizavam o Padre Manuel Antunes, e a “sua coragem intelectual e agudeza” para interpretar o país e o mundo.

José Farinha Nunes não tem dúvidas do papel decisivo desempenhado pelo Padre Manuel Antunes na sociedade portuguesa, dando como exemplo o que se passou logo após o 25 de abril de 1974: “Perante a confusão ideológica e o clima de incerteza que se viveu nos meses seguintes à revolução dos Cravos, [ele teve] a ousadia de defender um novo modelo de Estado, ao mesmo tempo que sustentava que o País se deve pôr em causa para melhor se poder definir”. Talvez por isso, muitos governantes da altura “ainda hoje lhe prestam a sua homenagem”.

O edil da Sertã demonstrou, uma vez mais, o empenho do Município em levar por diante estas comemorações, notando que “vamos fazer de 2018 o ano do Padre Manuel Antunes. Estamos empenhados nesse propósito e tudo faremos para que Portugal fique a conhecer melhor este homem que nasceu no Concelho da Sertã, faz agora um século”.

Seguidamente, usou da palavra o coordenador da Comissão Científica destas comemorações, Guilherme d’Oliveira Martins, que numa intervenção incisiva, recordou a passagem do Padre Manuel Antunes pela Faculdade de Letras e lançou o desafio para que “todos saibamos estar à altura do seu legado, assumindo o papel de fiéis depositários da sua herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins assinalou a “coragem” do Padre Manuel Antunes e a “capacidade para ouvir o outro”. “Sabia quando devia estar em silêncio ou quando devia falar”, notou.

Enaltecendo o “exemplo para as novas gerações”, o coordenador da Comissão Científica espera que estas comemorações sejam “um momento de celebração e, acima de tudo, de reflexão e divulgação da obra e do legado do Padre Manuel Antunes”.

O anfitrião desta cerimónia, o diretor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Miguel Tamen, proferiu o discurso de encerramento, recordando que “esta foi a casa do Padre Manuel Antunes e onde o seu conhecimento e trabalho teve real impacto sobre as vidas de milhares de jovens”. Miguel Tamen elogiou o Padre Manuel Antunes como “um homem que conseguia produzir o seu próprio oxigénio”.



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