Ricardo António: “Não vou continuar na próxima época”
Desporto
2018-05-16 12:43:19
Lourenço Martins de Carvalho

A época terminou no final de mês de abril e agora é altura de balanços. O Benfica e Castelo Branco terminou o Campeonato na 3.ª posição, com 59 pontos, ficando apenas a seis pontos de um lugar nos play-offs de subida.

Ricardo António, treinador dos albicastrenses, em entrevista ao POVO da BEIRA, mostrou-se satisfeito com o percurso da sua equipa, mas confessou que não vai continuar no comando técnica na próxima temporada.

“Não vou continuar na próxima época. Foi uma das coisas que já conversámos e, estranhamente ao que tenho dito, que foi a melhor época desde que estamos aqui, mas não vou continuar. A direção tem de tomar decisões e depois tem de assumir as responsabilidades, como um treinador. Se me perguntar se estava à espera, fruto da época que fizemos, provavelmente não. Para mim, foi a melhor época que fizemos nos cinco anos meio que tivemos no clube”, afirmou, lembrando que ninguém pode apagar o trabalho no clube.

“Os resultados – quando peguei no clube estávamos em 6.º lugar, na 3.ª divisão, e fomos campeões. Conseguimos as melhores classificações de sempre do clube na 2.ª divisão. Tivemos, pelo menos, seis jogadores que saíram directamente do Benfica e Castelo Branco para a Primeira Liga – João Afonso, Hugo Seco, Alvarinho, entre outros. Nesse aspeto acho que ajudei muito o clube, na valorização de jogadores, o próprio clube é apetecível e tem bom nome porque acho que também tive algum mérito nisso – as classificações e, em sete anos que está o presidente, estive cinco anos e meio. Penso que tenho um mérito enorme”, reforçou, não esquecendo o trabalho dos seus adjuntos Nuno Marques, Ricardo Silva, Graça e Nuno Carreiro.

Em relação à época que terminou, Ricardo António faz um balanço muito positivo, tendo em conta o plantel que dispunha no início dos trabalhos.

“Um balanço muito positivo. Primeiro porque os objetivos da equipa foram largamente conseguidos. Foi também muito positivo e excedeu as expetativas, porque o que foi pedido pela direção é que o que fosse acima do 6.º/7.º lugar seria ótimo, seria muito bom. Acabar no 3.º lugar, com seis pontos de vantagem para o Sertanense, dez do Águeda e 12 do Anadia – que eram equipas que apostaram para os primeiros lugares – penso que tornou a época muito positiva. E aliado a isso, conseguimos valorizar muitos jogadores, conseguimos colocar mais um jogador na Primeira Liga (Kikas) e isso tem sido uma coisa que temos conseguido e acho que foi uma época muito positiva”, esclareceu.

O facto de terem chegado em 1.º lugar ao Natal elevou as expetativas de toda gente – jogadores, direção e adeptos. O treinador admite que ficou um dissabor nos adeptos e na equipa, destacando dois momentos como fundamentais para este desfecho.

“Quando conseguimos chegar em 1.º lugar ao Natal, é óbvio que se sente aquele amargo, porque a equipa foi capaz até essa altura e poderia até ter sido capaz de se aguentar muito mais. Acho que houve dois momentos fundamentais para a quebra: a lesão do Júnior Mendes, porque nessa altura estava a fazer dupla com o Kikas e completavam-se muito bem e era um jogador com características diferentes; e a derrota em casa com o Lusitano Vildemoinhos, porque era um adversário direto. Para mim, foi o encontro mais decisivo nas contas finais”, lamentou.

Para Ricardo António, o Benfica e Castelo Branco não se podia assumir como candidato à subida, uma vez que o plantel não tinha soluções para suprir as lesões e os castigos.

“É preciso ter mais soluções e por isso é que disse que o Benfica e Castelo Branco, este ano, nunca se podia assumir como candidato aos dois primeiros lugares. Não tínhamos soluções à altura para todos os lugares. Havia posições que até tínhamos boas soluções – como no centro da defesa – mas se faltasse alguém no meio-campo já ia ser complicado. Se o Kikas falhasse, como aconteceu em Leiria, tínhamos de mudar completamente a forma de jogar. Mesmo assim, continuamos a ser competitivos. Tínhamos uma equipa muito forte, em termos de competitividade. As equipas que estão nos play-offs têm várias soluções. O Benfica e Castelo Branco não tinha isso e por isso é que digo, para aquilo que tínhamos, o 3.º lugar foi fabuloso”, reafirmou, prosseguindo.

“Continuo a dizer que o plantel, no início da época, era dos mais limitados. Agora também me deixou alguma pena, porque a equipa cresceu de tal maneira e olho para metade daqueles jogadores e deram um salto tão grande – em termos de qualidade e empenho – e o grupo que se criou foi uma das armas que tivemos – o balneário era muito forte e o grupo que queria muito ganhar”, recordou.

No futuro, o treinador acredita que vai encontrar uma solução para a próxima época, seja perto de Castelo Branco ou fora. “No último ano que estive fora fiquei um ano parado, porque não procurei nada. Na próxima época espero conseguir arranjar alguma solução no futebol, porque este ano o que me deixou orgulhoso foi o que conseguimos fazer. Pegar numa equipa que, as pessoas que estavam perto do clube, estavam com muito medo e conseguir acabar no 3.º lugar, diz-me que tenho valor e acho que vou ter outra oportunidade para voltar a mostrar o meu valor fora de Castelo Branco. Se tiver de sair vou sair, se tiver de ficar aqui perto vou ficar – há outros clubes aqui na zona. Vou abraçar aquele que achar que é um projeto credível e que as pessoas queiram que vá para lá. O mais importante é haver confiança e vontade que as coisas funcionem”, referiu.

Na hora da despedida, Ricardo António agradeceu aos sócios e adeptos que apoiaram sempre a equipa e desejou os maiores sucessos para o clube.



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