Telmo Roque: “A quebra da equipa foi uma questão psicológica”
Desporto
2018-05-16 12:43:23
Lourenço Martins de Carvalho

A ARB Boa Esperança terminou mais uma temporada e assegurou, pela 25.ª vez consecutiva, a manutenção na 2.ª Divisão Nacional. O clube de Castelo Branco terminou a época no 3.º lugar da Fase de Manutenção, Série D, com 25 pontos, fruto de três vitórias e quatro derrotas.

Telmo Roque, treinador dos albicastrenses, afirmou que o balanço era bom, mas confessa que, a certa altura da temporada, os jogadores propuseram-se a outros objetivos.

“O balanço é positivo. Queríamos que tivesse sido melhor, até pela posição em tivemos – a seis jornadas do fim estávamos a lutar pelo play-off de acesso à 1.ª divisão e dependíamos apenas de nós na penúltima jornada – só que o poderio das equipas da nossa série dificultou a nossa tarefa e, quando colocamos a fasquia muito alta e não conseguimos chegar lá, a desilusão também é maior. Na 1.ª Fase, se fizéssemos contas, sabíamos que uma ou duas vitórias seriam suficientes para garantir essa manutenção. Mas para o plantel, a cinco jornadas do fim, a restarem sete pontos para fazer a maior pontuação de sempre da Boa Esperança na 2.ª divisão e não conseguir chegar lá, afetou a moral dos jogadores”, começou por explicar o técnico, em entrevista ao POVO da BEIRA.

Apesar do início de época complicado, a sucessão de bons resultados e a subida de posições na tabela classificativa, levou os atletas e a própria equipa técnica a repensar nos objetivos para 2017/2018.

“Tivemos um início bastante atribulado, mas o que a verdade é que quando dobrou a primeira volta estávamos em 2.º lugar (…) Internamente, o objetivo era fazer a melhor pontuação de sempre e, se pudéssemos, lutar até à última jornada pelo play-off. Mas quando colocámos a fasquia muito alta, os jogadores também se desiludiram e não é a mesma motivação ir jogar uma Fase de Manutenção – onde já estava quase tudo decidido. A equipa não esteve à imagem daquilo que se pretendia na última fase da temporada”, afirmou.

O plantel da Boa Esperança sofreu muito durante a temporada com lesões. Para Telmo Roque, essa questão não justifica a quebra de rendimento, uma vez que permitiu que outros jogadores pudessem aparecer.

“As lesões não são justificação. Tivemos o Ruizinho parado praticamente a época toda, tivemos a lesão do Artur agora, não contámos com o Tiaguito durante dois meses. Começámos com problemas com o Serôdio, com o Sordo e o Artur. Tivemos problemas com o Machado. Foi praticamente o ano todo com lesões e acho que isso, de certa forma, não justifica que tenha sido por aí, porque deu oportunidade a outros jogadores que até estiveram bastante bem. Recordo-me que as vitórias com o Amarense e com o Ferreira de Zêzere fomos jogar com o plantel reduzido – tínhamos seis-sete jogadores”, lembrou.

Para o treinador, a quebra da equipa deu-se devido a uma questão psicológica, de falta de motivação. “A quebra foi uma questão psicológica, de falta de motivação. Na Fase de Manutenção, a equipa da Boa Esperança não tem nada a ver com a equipa que fez a 1.ª Fase. Não me lembro de um ano como treinador com tantos golos com bolas nos ferros. Houve jogos que as bolas no ferro fizeram diferença”, lamentou.

A Fase de Manutenção e “o relaxo apresentado em vários jogos dessa fase” foram o pior momento, para o técnico albicastrense. Em contraste, o melhor momento da época, na opinião do líder da equipa, foi a vitória frente ao Amarense em casa, que levou a equipa acreditar e “deu o clique”. Os jogos que não ganhou, porém, também mereceram uma nota.

“Acho que, em termos de jogo jogado, onde apresentámos mais qualidade até foi nos jogos que não vencemos. Nessa fase foi onde apresentámos mais qualidade, mas os resultados não apareceram. Em contraste com o início de época que não tínhamos tanta qualidade de jogo, mas os resultados apareceram. O futsal é isto mesmo”, recordou.

Na próxima temporada, Telmo Roque vai manter-se no comando técnico e será acompanhado por André Gonçalves, como treinador adjunto, César Bento, como treinador de guarda-redes, e Miguel Pereira, que estará encarregado do scouting e análise.

O jovem técnico vai acumular também as funções de treinador da equipa de juniores. “Vou ficar a coordenar todo o futsal tecnicamente dos outros escalões, desde os 10 anos para cima. O Rodrigo, o Diogo Almeida e o Alex já tiveram minutos esta época e houve outros que estiveram no banco, mas não chegaram a jogar. Tem de ser assim aos poucos, porque o nível da 2.ª divisão é mais competitivo. Há uma grande diferença entre os juniores e a equipa sénior e vamos tentar encurtar essa diferença com trabalho”, disse.

Na equipa principal, a ideia é manter a espinha dorsal e contratar para posições cirúrgicas.

“Vão sair três ou quatro jogadores, mas a ideia é manter a espinha dorsal. O Pedrito e o César Bento já são oficiais e outros devem ser oficial esta semana. O Ruben, por vontade dele, não quis ficar. O Pedrito vai para o Cariense, teve uma proposta melhor. Poderá ainda haver outra saída. Há jogadores que ainda têm a sua situação indefinida. Em relação às contratações, temos jogadores referenciados, mas vamos aguardar. Não falamos com os jogadores antes de acabar a ligação aos clubes. Não fazemos como outros clubes e treinadores fazem. Respeitamos isso ao máximo. Vamos fazer contratações cirúrgicas. Estamos a falar de cerca de seis, sete reforços”, vaticinou.

A Boa Esperança anunciou, a semana passada, a renovação de Ricardo Machado, indo assim para a 23.ª temporada consecutiva no clube. Telmo Roque mostrou-se muito satisfeito com a continuidade do capitão de equipa.

“É um jogador que mete qualquer colega de equipa à frente de qualquer coisa, até dele. É um jogador que, em primeiro lugar, está a Boa Esperança, os colegas, está tudo e só depois é que pensa nele. E isso torna as coisas mais fáceis e é um jogador importante no balneário, dentro de campo, no banco – pelo incentivo que dá aos colegas. As pernas podem já não deixar muito, mas em termos de vontade e entrega, raça e querer não há muitos mais que ele”, concluiu.



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