Ana Paula Rafael diz que portagens são para o interior o muro de Berlim
Castelo Branco
2018-07-11 11:29:56
Povo da Beira

A diretora da empresa de confeção de vestuário Dielmar, sediada na vila de Alcains, afirmou, no passado dia 5 de julho, durante uma visita da líder do CDS-PP, Assunção Cristas, à empresa, que as portagens foram para o interior e para as assimetrias do país, o muro de Berlim construído por governantes.

“Eu disse-lhe aqui que as portagens mais não foram, para o interior e para as assimetrias do país, do que o muro de Berlim construido pelos governantes. Acho que este muro tem que ser começado a ser destruído rapidamente, porque foi ele que criou ainda um isolamento maior do interior”, afirmou Ana Paula Rafael.

A diretora da Dielmar, fábrica de confeções e de vestuário sediada na vila de Alcains, Castelo Branco, falava aos jornalistas após uma visita da presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, à empresa no âmbito do “Estatuto Fiscal para o Interior” elaborado pelo Gabinete de Estudos do partido.

“Do meu ponto de vista empresarial, acho que é muito importante que as portagens e as pessoas que vivem no interior não sejam penalizadas. Eu acabaria com elas imediatamente. Acho que os custos que temos com as portagens são muito superiores aos custos que teremos sem portagens. Porque o equilíbrio do país é muito mais importante, em termos económicos, do que o custo que esta portagem tem e tudo o que ela implica”, sustentou.

Realçou ainda a importância da visita da líder do CDS-PP à empresa, não só porque permitiu a Assunção Cristas conhecer a realidade local e as dificuldades que uma empresa tem no interior, mas também conhecer as próprias propostas do partido.

“Penso que é muito importante que os politicos visitem, tenham contacto direto com a realidade e, sobretudo, que façam propostas condizentes com aquilo que é a necessidade que o interior tem de desenvolvimento”, disse.

A empresária, defendeu ainda políticas fiscais para o interior, como aquelas que estão a ser apresentadas pelo CDS-PP.

“É preciso olhar para o país de uma forma equilibrada e perceber que o interior precisa de politicas fiscais diferenciadoras, porque caso contrário, podemos repovoá-lo, mas depois temos que criar investimento e condições de atratividade ao investimento”, disse.

Ana Paula Rafael deixou ainda uma mensagem para todos os políticos e partidos políticos nacionais: “Temos que criar condições de investimento e de revitalização empresarial no interior e trazer investimento estrangeiro, mas temos que olhar para aqueles que estão cá, a fazer um sacrifício enorme e que não podemos deixar acabar”.

A diretora da Dielmar, empresa que emprega mais de 400 trabalhadores e que exporta os seus produtos para praticamente todo o mundo, entende que é necessário criar também condições para os empresários e empresas que estão no interior se revitalizem.

“O trabalho e a atração de investimento estrangeiro é um trabalho de médio e longo prazo, mas aquelas que estão cá, a pugnar pelos interesses do país e que estão a dar emprego, é um trabalho de curto prazo, de curto, médio e longo prazo”, concluiu.

CDS quer dedução do custo das portagens nos impostos

A presidente do CDS-PP defendeu que os moradores do interior possam vir a deduzir o custo das portagens no seu imposto no âmbito do conjunto de propostas de benefícios fiscais para o interior elaboradas pelo partido.

“A proposta é que os moradores do interior, possam deduzir o custo das portagens no seu imposto. Certamente que outras medidas podem ser pensadas. Para já, o CDS põe esta em cima da mesa. Mas, como vos digo, o que gostaríamos e que desejamos é que possa haver um amplo consenso nacional nesta matéria”, afirmou Assunção Cristas.

Assunção Cristas explicou ainda que o partido entendeu trabalhar internamente, através do gabinete de estudos e apresentar um conjunto muito significativo de propostas que passam, por exemplo, por ter uma taxa de IRS pela metade para os residentes no interior e a dedução de todos os custos com transporte, sejam portagens ou, por exemplo, combustíveis para automóveis”.

No domínio das empresas, Assunção Cristas defendeu uma “baixa significativa” do IRC para 10% para todas as empresas e não um estatuto diferenciado só para algumas “mais pequeninas” e com um valor coletável de apenas 15 mil euros.

“Porquê? Porque entendemos que todas as empresas são necessárias no interior, das mais pequenas às maiores, e também queremos que as pequenas possam passar a ser médias e, porventura, um dia possam passar a ser grandes”, frisou.

Quanto ao investimento direto estrangeiro em Portugal, o CDS-PP entende que este é necessário em todo o país, mas defende que no interior deve ter um regime próprio mais favorável.

“Por exemplo, se estamos a falar de uma contratualização de apoios para investimentos de 25 milhões de euros, entendemos que se estivermos a falar de empresas que se queiram instalar no interior do país, então o limiar devem ser apenas 10 milhões de euros e com isso, ajudar a que as escolhas sejam também as escolhas pelo interior (...)”, sublinhou.

A presidente do CDS-PP realçou que a parte fiscal não é a única relevante, mas é a mais urgente ao nivel de calendário.

“Para termos medidas fiscais diferenciadas para o interior, precisamos de as negociar com a Comissão Europeia e foi por isso que o CDS trabalhou durante este ano parlamentar e apresentou agora estas propostas para que o Governo as possa observar e, se entender que devem ir por diante, ter tempo para negociar junto da Comissão Europeia estes estatutos diferenciados de beneficio para o interior (...)”, disse.

Assunção Cristas entende que estas medidas têm toda a justificação, mas adianta que é preciso explicar junto a Bruxelas.

“O que queremos é que com tempo, isso possa acontecer para, no dia 1de janeiro, termos estas medidas e certamente outras que se podem juntar, a serem aplicadas ao interior do nosso país”, concluiu.



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