Feira do Pinhal mostra um território de oportunidades
Oleiros
2019-08-09 10:42:46
Lourenço Martins de Carvalho

A 19ª Feira do Pinhal decorre até domingo, dia 11, em Oleiros, e tem como cabeças de cartaz Fernando Daniel e os UHF.

A inauguração oficial aconteceu no dia 7, quarta-feira, contando com a presença do Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Alberto Sobrinho Teixeira.

O presidente da Câmara Municipal de Oleiros, Fernando Jorge, inaugurou o certame pelo sexto ano consecutivo e reforçou a grande importância socioeconómica para o concelho.

“A floresta de Oleiros é dez vezes superior à média nacional e contribui com mais de 50 milhões de euros em exportações. Um concelho que tem superavit, que tem menos de 6000 habitantes como o nosso, que tanto exporta, merece ser reconhecido como um polo onde o investimento na conservação da natureza terá que ser obrigatório”, reforçou.

O autarca sublinhou o papel que o Município tem na área da educação – com as bolsas de estudo – deixando claro que “em Oleiros nenhum aluno deixa de estudar por falta de condições económicas”.

Fernando Jorge não esqueceu também o diferendo entre o Governo e a autarquia oleirense, relativo à indemnização do trabalhador da Câmara Municipal que morreu nos incêndios de 2017.

O edil pediu ao Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior para que intercedesse para que o projeto de resolução, aprovado em Assembleia da República, prossiga o mais brevemente possível “para que a viúva e os órfãos do funcionário do Município que perdeu a vida nos incêndios de 2017 sejam indemnizados tal como outras famílias afetadas”.

O presidente da Câmara lembrou o papel que os Secretários de Estado têm “na influência dos Ministérios”, uma vez que “são quem conhece melhor o povo” e criticou a falta de apoio no interior, pedindo mesmo para o território não ser descriminado negativamente.

“ (…) fala-se de descriminação positiva mas a mim bastava-me não ser descriminado negativamente (…) Estas regiões despovoadas deram e dão às finanças públicas, verbas que não têm tido retorno”, frisou.

Fernando Jorge lembrou, de seguida, alguns exemplos em que Oleiros e descriminado negativamente em relação a outras zonas do país.

“Os oleirenses pagam o metro cúbico de água mais caro do que nos grandes centros urbanos; a mesma empresa que trata o lixo e os resíduos urbanos, cobra seis vezes mais em Oleiros do que em concelhos como o de Lisboa, e por fim, os oleirenses não beneficiaram nem um cêntimo com a lei da mobilidade, que sendo uma excelente ideia, apenas beneficia os grandes aglomerados”, lamentou, mantendo o mesmo discurso.

 “ Os nossos terrenos, nas margens do Zêzere, que foram alagados para haver barragens que fornecem água aos grandes centros urbanos; (…) à produção de energia, quer através das eólicas, quer da produção hídrica, que saem em grande parte destas terras; o próprio oxigénio que combate o excesso de dióxido de carbono das cidades. E o que recebe este povo? Nada”, acrescentou.

O Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Sobrinho, prometeu levar todos os problemas a discussão e abordou a “redução demográfica e perda de população”, que afeta, não só o interior, como todo o país.

O responsável do Governo, neste contexto, destacou o papel que “as instituições escolares do interior têm feito para atrair pessoas para estes territórios e para Portugal”.

João Sobrinho realçou a medida do Governo de reduzir as vagas de entrada no ensino superior em Lisboa e no Porto, numa medida para levar mais alunos para o interior.

“O interior está a ter uma grande capacidade de captação”, afirmou, deixando claramente para trás o estigma outrora associado ao Interior como uma zona analfabeta.

O Secretário de Estado recordou ainda que estes territórios “não têm só dificuldades, são também um território de oportunidades”.

“Não teríamos este número crescente de alunos se não fosse o Interior, por aquilo que representa, pela forma como acomoda e pela relação qualidade de vida e custo de vida”, concluiu.



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